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Gustavo Ponce

IOGA DO EQUILÍBRIO

Taunay Daniel

Uma obra sobre ioga encontrada em uma livraria de usados, aos 11 anos de idade, mudou a vida do chileno Gustavo Ponce. A ponto de vir a tornar-se instrutor e criador de um método específico da prática que evoca as tradicionais disciplinas físicas e mentais originárias da Índia. Diretor e fundador do Instituto Yogashala, de Santiago – um dos principais centros de ioga da América Latina – e do Centro de Retiros Canal Om, Ponce observou desde o princípio a parede não somente como suporte para a prática dos ásanas (posturas), mas sobretudo como mestre, guia. Sua atividade corporal teve início no final da infância, por meio das artes marciais orientais. Uma primeira viagem à Índia, em 1972, colocaria dentro dele a semente para, dez anos depois, dedicar-se integralmente à ioga. Por muitos anos estudou diretamente com o mestre hindu B.S. Iyengar, bem como com Pattabhi Jois e T.K. Desikachar, com este último vindo a obter sua base de instrução técnica e espiritual. O método que o chileno desenvolveu e que batizou de sattva yoga em grande parte é dirigido ao rejuvenescimento da coluna vertebral, tendo sido concebido de tal forma a não deixar de lado nenhuma área do corpo. Autor de 11 livros e fluente em cinco idiomas, Gustavo Ponce estará pela primeira vez em Campinas, no mês de abril, para workshop promovido em parceria pelo Instituto de Yoga Clássico e o site MahiYoga.com. Por e-mail, concedeu a entrevista exclusiva a seguir.

Sendo praticante de artes marciais desde a infância, o que o levou a conhecer a ioga?
A verdade é que a ioga e as artes marciais sempre estiveram presentes em minha vida, desde os 11 anos. Sempre senti a complementaridade entre ambas as disciplinas desde que caiu em minhas mãos o livro de Selvarajan Yesudian Ioga e Esporte. Quando não pude continuar com as artes marciais por repetidas lesões na coluna, ombros e joelhos, voltei-me inteiramente à ioga e isso ocorreu quanto tinha 35 anos. Hoje tenho 65.

O que significa o termo sattva yoga e qual o diferencial desse método em comparação com as outras práticas?
Sattva significa harmonia, equilíbrio, “o caminho do meio”. A grande diferença entre sattva e a maioria dos métodos modernos de hatha yoga é seu enfoque na coluna vertebral, o eixo da prática que pode ser totalmente com a parede – sattva terapêutico – ou sem a parede (sattva fluido).

O que poderia ressaltar sobre outros dois estilos que criou – prana shakti yoga e dynamic yoga?
Em prana shakti a consciência em todo momento está na respiração. Cada movimento produz uma inspiração ou uma expiração e nossa mente está atenta a esse movimento e a essa fase da respiração. Trabalha-se com o “prana”, a energia vital. Quer dizer que o trabalho vai além do corpo físico, é mais sobre o corpo energético. Dynamic é uma forma de hatha yoga que poderia caber dentro da categoria de vinyasa yoga, mas para por aí a semelhança. Dynamic tem uma estrutura clara e definida, que trabalha com princípios interdependentes e opostos de yin e yang. É um método muito apreciado pela juventude (entre 25 e 50 anos).

Como o workshop que acontecerá em Campinas poderá contribuir com os praticantes e professores de ioga?
Penso que todos os praticantes e professores de ioga devem ser como abelhas que recolhem o pólen de muitas flores para produzir seu próprio néctar. Ter uma experiência real com meus três métodos seguramente abrirá os olhos e a mente a outras possibilidades que a ioga oferece e permitirá ter mais ferramentas para ajudar outros que estão caminhando o mesmo caminho. 

Como avalia a proposta de nosso jornal, que enfatiza a busca pelo autoconhecimento?
Parabéns. É uma importante janela para despertar o interesse em buscar dentro de si mesmo o que normalmente a gente busca externamente.

Que mensagem gostaria de deixar para os nossos leitores?
Estaria muito feliz de compartilhar meus conhecimentos com vocês. Se tiverem possibilidade, por favor participem do workshop.

 

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