O útero: o primeiro grounding

 

É no útero e durante todo o período de vida uterina que o embrião permanecerá enraizado como uma planta. R.D.Laing, psiquiatra e psicoterapeuta britânico, usou a seguinte metáfora: “a parede do útero é o solo, o embrião a semente; as vilosidades do córion são as raízes primárias; o umbigo em desenvolvimento é o caule e o feto é o fruto da planta.”

Ao nascer, o bebê continuará a receber muitos groundings, isso é o esperado positivamente que venha a ocorrer. Por exemplo, quando ele é colocado no ventre de sua mãe e percebe os batimentos cardíacos já reconhecidos por ele, quando ele é amamentado no contato boca/seio; em contato com o olhar da mãe na possibilidade de ver-se espelhado neles, firma seus olhos; quando já consegue obter um contato com a terra, ao firmar-se no chão, progredindo em seus movimentos como deitar de bruços, erguer a cabeça, engatinhar, agachar-se, levantar-se com apoio e andar. A qualidade do contato que vai encontrando tudo isso é importante para instituir um bom grounding ou um grounding deficiente e falho.

Infelizmente, para muitos os contatos foram falhos, e consequentemente um desenvolver de um falso self (o si mesmo), constituindo-se a partir do que foi experienciado e guardado na sua memória. O psicoterapeuta corporal busca em seu trabalho terapêutico, já que as diversas formas de “firmar” possam ter sido falhas ou ocorrido de maneira errada, reestabelecer novas possibilidades de contato com os diversos chãos a partir dos quais o self se desenvolve. O trabalho visa oferecer recursos ao cliente para que ele mesmo participe também do seu processo.

Ao trabalhar com posturas, através de exercícios específicos, e como consequência, a liberação das emoções que estavam bloqueadas, trabalha-se o grounding postural. Como exemplo temos a postura do arco invertido, que além de ser um exercício que favorece diagnóstico dos bloqueios existentes, facilita a respiração profunda, um contato com as pernas e pés, desenvolvendo um senso se segurança e vitalidade, aumentando a carga energética. O objetivo dos exercícios bioenergéticos é aprofundar o sentir e fazer com que o indivíduo entre em contato com seu corpo. Entrar em contato é perceber as contrações, as tensões, e sentir é também entrar em contato com tudo o que é suprimido. Apenas quando se sente as tensões, aí sim é possível liberá-las. 

Para que possamos aprofundar e enriquecer todo esse processo de autoconhecimento, a tarefa terapêutica será entre cliente-terapeuta, a de construir um vínculo curativo e é necessário que levemos, como psicoterapeutas corporais, nossos clientes a também encontrarem a sua “firmeza interior”, isto é, desenvolver seu grounding interno. 

Isso é o que veremos no próximo texto!

 

Referência bibliográfica: Grounding e Autonomia – A Terapia Corporal Bioenergética Revisitada (Odila Weigand) e Correntes da Vida – Uma Introdução à Biossíntese (David Boadella)

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