Márcio Assumpção

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As oito partes do yoga

 

O yoga tem sua origem na cultura védica, uma tradição milenar do povo que habitava o “Vale do Indo”. Por muitos séculos permaneceu numa tradição oral, de mestre para discípulo. 

Muito tempo depois surgiram textos que compilavam esse conhecimento. O texto mais conhecido é chamado Yogasutra, escrito por Patanjali, considerado o ”pai do yoga”. Em quatro partes ou capítulos, ele escreveu através de aforismos um tratado sobre a Iluminação; as etapas para atingi-la e os obstáculos da mente. É um texto repleto de sabedoria e que precisa de um professor para auxiliar a compreensão. Talvez o maior legado desse texto é a famosa classificação das oito partes do yoga. 

A primeira parte chama-se yama, que se refere à conduta de um iogue perante si mesmo e também à sociedade.

 

Trata da qualificação que um aspirante ao yoga, deve desenvolver ao longo da sua trajetória, tais como: não violência; busca da verdade; não roubar; ter equilíbrio sobre a sexualidade e o desapego. São cinco condutas que envolvem a ética e que todo ser humano se depara ao longo de sua existência. 

A segunda parte chama-se niyama. Refere-se aos deveres do iogue, tais como pureza, contentamento, disciplina, autoconhecimento e entrega. Com a prática desses deveres, o aspirante vai conquistando o equilíbrio na prática e no estudo. 

A terceira parte se chama asana, que é traduzido como postura de yoga, mas aqui se refere ao “assento meditativo”, ou seja, criar harmonia física para sentar e meditar. 

A quarta parte se chama pranayama, que é muito mais que respiração, é o controle da energia vital, possibilitando dominar os cinco sentidos e a mente. Quando uma pessoa não domina seus sentidos, torna-se escrava deles e a mente se enfraquece. 

A quinta parte é pratiahara, que significa abstração dos sentidos, ou seja, a capacidade de introspecção da mente. É o princípio básico para começar a meditar. 

A sexta parte chama-se dharana, que é a concentração propriamente dita. Quando o iogue consegue direcionar toda a sua mente para um único ponto ou objetivo. Para quem está começando a prática da meditação, é comum experimentar a transição e permuta entre pratiahara e dharana, num “vai e vem” entre uma fase e outra. 

Já a sétima etapa, segundo Patanjali, chama-se dhyana, que é a meditação, um estado de entrega profunda. Isso pode durar segundos para os iniciantes e alguns minutos para os avançados, pois a meditação não é um estado permanente. A mente vai e volta. Segundo os iogues, o mais importante é que a experiência da prática desenvolva uma mente meditativa, que seja capaz (mesmo fora da prática da meditação) conservar a concentração e a quietude. 

A última parte se chama samadhi, que é de difícil compreensão e de fácil equívoco. Durante a meditação avançada, existe um estado de êxtase meditativo, que hoje é estudado e explicado pela neurociência. Patanjali alerta em seu texto para não confundir esse “êxtase” com o verdadeiro samadhi, que é libertação. Samadhi é moksha, os seja, a libertação de todos os condicionamentos e aprisionamentos do mundo relativo. Um estado avançado, que não depende apenas da prática da meditação e sim de um estudo profundo da natureza essencial do Universo. 

As oito partes do yoga não seguem uma sequência linear, mas são etapas interdependentes, onde o iogue transita, num processo cíclico para a completa Iluminação. O fundamental é não esquecer das raízes, a conduta e a reflexão contínua sobre os valores humanos é a base que sustenta todo o processo. Namastê.

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