EDUCAÇÃO EM FOCO

Elizete Cristina Aguiar

aguiarelizete@bol.com.br

Cidade educadora

          

Uma cidade educadora é aquela que vai além de suas funções administrativas tradicionais. Ela “educa” a população e forma integralmente seus cidadãos. Nela, a escola é parte essencial desse processo e em parceria com a comunidade e com outras instituições, ela auxilia nessas transformações locais (a princípio) e posteriormente se torna permanente, ao longo da vida. Ela ultrapassa os muros da escola, ensina e ao mesmo tempo aprende. Todas as atividades curriculares são desenvolvidas e integradas entre si. O currículo é transdisciplinar: por meio de projetos de estudos definidos por consenso. Se fortalece o desejo de aprender, com significado para a vida.

No Brasil, a ideia de uma cidade educadora está em permanente diálogo com o trabalho de diversos autores, entre eles, Anísio Teixeira (escolas-parque), Mário de Andrade (parques infantis), Paulo Freire (educação cidadã), Milton Santos (território), Moacir Gadotti (escola cidadã) e Ladislau Dowbor (educação e desenvolvimento local), para citar alguns.

Como defende Jaume Trilla, “é possível aprender na cidade (cidade como espaço onde a aprendizagem ocorre), aprender com a cidade (cidade lida como texto, como emissora constante de aprendizados) e aprender a cidade (cidade como intervenção, passível de transformação, de ação política).”

A cidade educadora é mais limpa, mais justa, mais segura, os espaços públicos são acessíveis e inclusivos. Seus cidadãos, sendo mais participativos, conseguem exercer com dignidade a sua cidadania. É uma cidade que busca acolher a diversidade, respeitando as particularidades de cada um. Atividades agroecológicas são vivenciadas diariamente, proporcionando qualidade de vida e aprendizagens significativas, sempre por meio da experiência: cultivo de hortas comunitárias e escolares (agricultura sustentável): onde todos possam aprender os conhecimentos tanto empíricos quanto práticos e acabar com a fome, alcançando a segurança alimentar e a melhoria da nutrição; respeito aos animais: através de paradas pet, microchipagem e criação de associações de amigos dos pets; produção de papel reciclado; separação de lixo e reutilização de materiais. Os ODs (objetivos de desenvolvimento sustentável criados pela ONU) são implantados, implementados e respeitados; a educação para o trânsito é o foco ao invés de gastos com obras, saúde e multa.

Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos. Reduzir substancialmente a desigualdade, a corrupção e o suborno em todas as suas formas. Pois, corrupção, suborno, roubo e evasão de impostos custam cerca de R$ 1,26 trilhão para os países em desenvolvimento por ano. 

Enfim, não há políticas fragmentadas, as experiências em diálogo com a cidade educadora evocam a necessidade de articulação entre os diferentes setores do governo e da sociedade em um pacto pelo desenvolvimento humano e social. 

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