Ser lean – um modo de vida inspirador​

Sidney Rago

 

Está claro para a maioria da população mundial que o ser humano está acabando com o planeta, em razão o seu estilo de vida consumista e egoísta.

A grande dificuldade é conseguirmos sair do campo da teoria para uma ação efetiva, já que isso demandará um grande esforço de todos para deixarmos a nossa zona de conforto, obtida a muito custo por muito tempo e abrirmos mão de alguns luxos e confortos que nos geram facilidades e prazeres momentâneos e individuais, mas que não se sustentarão por muito tempo, pois estão prejudicando muito rápido a vida no planeta.

Esta dificuldade fica evidente quando assistimos os fóruns de meio ambiente que há vários anos acontecem sistematicamente, envolvendo os líderes dos principais países do mundo, mas que na prática vem obtendo resultados muito pequenos, pois esbarram em fatores econômicos e locais de cada país.

Nosso modelo de vida está ultrapassado e vem gerando comprovadamente mais desigualdade social e degradação do meio ambiente, ou seja, não se sustentará no médio e longo prazo.

A filosofia lean nasceu na Toyota sendo aplicada desde o final da Segunda Guerra Mundial, a fim de viabilizar a fabricação de automóveis em uma organização com sérias restrições orçamentárias e de recursos e de lá para cá é o jeito mais copiado de gestão organizacional, estando hoje além das indústrias e sendo implementado em hospitais, serviços, laboratórios, desenvolvedores de softwares, entre outros.

Resumidamente, esta filosofia prega a eliminação de todas as perdas de todos os processos de um negócio, que resultará em uma empresa mais “enxuta”, que opera com o mínimo possível de recursos, mas que entrega aos clientes o que eles desejam.

A base da implementação desta filosofia está na mudança dos hábitos das pessoas, que passam a enxergar as perdas e utilizar sua criatividade e inteligência para eliminá-las sistematicamente.

O sr. Taiichi Ohno, o principal líder desta transformação, pregava que a simplicidade é mais importante do que os excessos. E que todos nós deveríamos conseguir produzir mais com menos recursos.

Agora, imagine se essa filosofia fosse levada para fora dos muros das empresas e fosse implementada nas casas, nos bairros, nas cidades, clubes, entre outras comunidades.

Imagine se todos nós pudéssemos viver de maneira mais simples, consumindo menos recursos, reaproveitando os recursos existentes e evitando os desperdícios da vida moderna.

Por exemplo, ir ao trabalho de bicicleta em vez do carro, utilizar fontes renováveis de energia, consumir alimentos menos industrializados, com processos que agridem menos o meio ambiente.

Ou seja, adotando novos propósitos para a sua vida, além de enriquecer e consumir.

Não acredito em nenhuma mudança drástica, mas em pequenas melhorias cotidianas e contínuas, que são muito mais fáceis de implementar na nossa vida, por exemplo trocando o carro pelo metrô ou bicicleta ou até mesmo pela caminhada, ou o elevador pela escada, o celular e a TV pelo livro.

Ser lean é pensar mais no coletivo que no individual, é abrir mão dos luxos e supérfluos em pró do futuro da humanidade, é pensar e viver de maneira mais simples.

Um dos ícones desse estilo de vida atualmente é o papa Francisco. Que com seus gestos e hábitos, vem transformando a imagem de luxo e riqueza do Vaticano e dos papas em um inspirador exemplo para todos nós. Abdicando das roupas e carros de luxo pela simplicidade franciscana. 

Guardadas as proporções, Barack Obama, quando presidente do país mais importante e rico do mundo, também adotou hábitos simples e modestos e nos encheu de exemplos nestes últimos anos. 

É formando mais líderes desse tipo que seremos capazes de transformar e preservar o futuro da humanidade.

E lembre-se: quem forma e elege esses líderes, pelo menos nos países democráticos, somos nós mesmos. Portanto, não adianta adotarmos o discurso de que a responsabilidade não é nossa e que não depende de nós.

Além de cada um de nós ter o dever de iniciar esta transformação dentro da nossa casa e em todas as comunidades que influenciamos. Talvez não conseguiremos transformar o mundo todo, mas com certeza faremos a diferença onde conseguirmos.

Só assim acredito que garantiremos aos nossos filhos e netos um planeta melhor e sustentável. 

 

Sidney Rago é engenheiro mecânico com MBA em gestão empresarial, gerente de estratégias e instrutor em cursos de aperfeiçoamento nas áreas de logística, produtividade, custos industriais e liderança

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